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The Great Conversation, 5: Experimental Science

Este texto resume os pontos mais importantes do Capítulo 5 do livro “The Great Conversation: The Substance of a Liberal Education“, de Robert M. Hutchins, publicado como Volume 1 da coleção Great Books of the Western World, pela Enciclopédia Britânica, em 1952:

Neste Capítulo 5, páginas 32 a 41, Hutchins faz uma reflexão a respeito da seguinte questão: o Grande Diálogo tornou-se obsoleto com a ascensão da ciência experimental? Ele nos mostra questões que podem e que não podem ser resolvidas pela ciência experimental e argumenta que a ciência não tornou o Grande Diálogo obsoleto: a ciência é parte do Grande Diálogo e, através do estudo dos Grandes Livros, temos como julgar e determinar os melhores métodos para cada questão.

[NOTA PESSOAL]: nada do que se segue é um pensamento original meu mas, sim, de Robert M. Hutchins. Eu simplesmente transcrevi, reescrevi e/ou parafraseei vários trechos de seu livro, procurando organizar e resumir o que eu entendi e aprendi em poucos parágrafos e de modo mais objetivo. Acrescentei algumas explicações e figuras, criei e/ou unifiquei seções, e também criei, suprimi e alterei títulos de seções quando julguei necessário, para melhorar a exposição do conteúdo. Sugiro a leitura do original caso o resumo abaixo lhe interesse. Também me permiti um deslize acadêmico: como as idéias abaixo não são minhas, são de Hutchins, eu deveria citá-lo várias vezes nos parágrafos abaixo. Mas isso tornaria o texto absolutamente repetitivo e enfadonho: “segundo Hutchins”, “de acordo com Hutchins”, “Hutchins acredita que”… Para evitar essa repetição, fica aqui, desde já, avisado que apesar de não referenciar Hutchins abaixo, o texto, o pensamento e o que eu aprendi, a seguir, é de Hutchins. Obviamente, qualquer falha no entendimento e reprodução dos ensinamentos do livro, é, obviamente, de minha inteira responsabilidade, não do autor original.

1 A Fé Cega na Ciência e a Impossibilidade do Conhecimento da Verdade

O Grande Diálogo começou antes da Ciência Experimental, mas o nascimento do Diálogo e da Ciência foram simultâneos (até os pré-Socráticos investigavam e procuravam entender os fenômenos naturais). A fé na ciência experimental como o método definitivo e, quase como, exclusivo é uma manifestação da modernidade.

Hoje é difundida a crença de que qualquer questão que não possa ser submetida aos métodos empíricos da ciência não é significante, verificável e não pode ser respondida de forma “confiável”, “verdadeira”. A única exceção à essa crença são questões matemáticas e lógicas; todas as outras questões devem ser submetidas aos métodos da ciência experimental. Qualquer outra questão que não puder ser respondida pela ciência experimental não deveria nem ter sido perguntada e qualquer conclusão a que se chegue não passaria de mera adivinhação, coisas sem sentido.

Essa visão foi cristalinamente defendida por David Hume (1711-1776) que explicitamente escreveu: ‘Se pegarmos um livro em nossas mãos […] devemos perguntar: Ele contém algum raciocínio abstrato concernente à quantidades ou números? Não. Ele contém algum raciocínio experimental concertente à questões de fato e existência? Não. Entregue-o então às chamas, pois ele não contém nada além de sofismas e ilusão‘.

Mais ainda: a fé na ciência experimental nos fez pensar que, como o método experimental é probabilístico, nada além da matemática e da lógica pode alcançar o conhecimento verdadeiro. Devemos, pois, nos libertar da ilusão de algum dia conhecermos a verdade das coisas.

Mas será que a ciência experimental tem todas as respostas?

2. A Ciência Experimental Não Tem Todas as Respostas

Não se pode negar os avanços do conhecimento humano proporcionado pela ciência experimental, nem as inovações tecnológicas que esse avanço proporcionou. Mas devemos confiar apenas no método experimental como a única fonte de respostas válidas ou verificáveis às questões do dia a dia da humanidade?

Ora, há questões importantes para a humanidade que não podem ser respondidas pela ciência experimental, desde as mais filosóficas (questões sobre a existência de Deus ou a imortalidade da alma) até as mais práticas (a democracia é realmente a melhor forma de governo?).

A ciência experimental não consegue nem mesmo responder a uma questão básica sobre ela própria: o que é a ciência e o método científico? Se, para ser ciência, é necessário que um cientista seja honesto, cuidadoso, preciso, estejam atento e preso aos fatos e pondere todas as evidências com discriminação antes de concluir alguma coisa, então desde Aristóteles os homens fazem ciência.

O método de experimentos controlados em condições artificiais em laboratório é o método exclusivo apenas de parte da ciência que lida com assuntos que permitem esse tipo de abordagem.

Apenas um dogmático desavergonhado ousaria afirmar que a questão da ciência foi finalmente resolvida em favor da visão de que, fora da matemática e da lógica, a ciência experimental moderna é o único método a ser empregado na busca do conhecimento.

3 A Importância do Grande Diálogo e dos Grandes Livros na Questão da Ciência

Atualmente, à luz da ciência experimental, as proposições que foram feitas antes do nascimento do método empírico se tornaram antiquadas, superadas, talvez de interesse apenas como superstições bizarras de pensadores que exisiram antes da alvorada da ciência experimental? Devemos esquecer o Grande Diálogo e os Grandes Livros?

De modo algum.

A ciência experimental é apenas a visão de um dos lados da questão. Os Grandes Livros nos mostram todos os lados e iluminam aspectos que são tratados de modo obscuro e dogmático hoje em dia.

Mesmo o cientista experimental não pode evitar ser um artista liberal e, os melhores dentre eles, como os Grandes Livros nos mostram foram homens de teoria mas, igualmente, de imaginação e de observação paciente de fatos particulares. Os fatos são indispensáveis, mas não suficientes: é necessário pensar.

Além disso o Grande Diálogo e os Grande Livros fazem mais por nós: eles nos dão os melhores exemplos dos esforços humanos na busca da verdade, sobre a natureza das coisas e sobre a conduta humana, por métodos outros que não apenas o da ciência experimental.

Mais ainda: como os Grande Livros nos mostram os esforços igualmente impressionantes que o homem fez para aprender, tanto por métodos empíricos ou outros métodos, nós temos então os melhores materiais para julgar se o método da ciência experimental é ou não o único método aceitável de investigação de todas as coisas.

Seria imprudente rejeitar as fontes de sabedoria que tradicionalmente foram encontradas na história, filosofia e artes.

A ascensão da ciência experimental não tornou o Grande Diálogo obsoloeto. A ciência experimental é parte do Grande Diálogo! Através dos Grandes Livros podemos observar o nascimento da ciência, aplaudir o desenvolvimento do método experimental e celebrar os triunfos que conquistamos; mas também podemos observar as limitações desse método e lamentar os erros que sua má aplicação causaram.

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